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Mercado de Café: Os baixistas focam em um dólar mais alto

Publicado em 19/02/2016 17:12
por Rodrigo Costa* (Archer Consulting) + análise do Escritório Carvalhaes

A sinalização do banco central chinês dizendo não ter interesse de desvalorizar (ainda mais) o Yuan e o tom do FED sobre o impacto da turbulência dos mercados neste começo de ano em sua decisão de aumentar os juros ajudaram as bolsas de ações a subir durante a curta semana nos Estados Unidos.

Os três principais índices de commodities andaram de lado no período, já que o petróleo perdeu brilho na sexta-feira depois dos estoques do produto terem atingido um novo recorde de alta mundial. A conversa dos Sauditas, Russos, Venezuelanos e Catarianos em não incrementar a produção por ora é inócua por todos estarem produzindo níveis altíssimos para contrapor as perdas de receita com a queda das cotações internacionais. O agravante é o Irã que com a diminuição das sanções deve produzir mais petróleo inundando ainda mais a oferta em um mundo que cresce menos e tem um superávit do produto.

Os investidores depois de terem retraído suas posições em ativo de risco estão precificando apenas um “aperto” na política monetária americana de 0.25% para 2016, estancando a valorização da moeda dos gringos – o que seria mais positivo para as matérias-primas.

O café teve sessões enfadonhas, resultado do foco dos participantes em rolar suas posições do contrato de março para o de maio em Nova Iorque. No primeiro dia de notificação de entrega, sexta-feira, o spread entre os dois meses estreitou para US$ 0.95 centavos por libra-peso, isto considerando estoques certificados composto por lotes que demandam um desconto maior em função da “idade”.

A queda de US$ 1.00 centavo por libra do arábica da ICE nos últimos cinco dias apertou ainda mais os diferencias nas origens e o fluxo ficou menor em geral. Ao mesmo tempo o pico da entressafra no Brasil e a proximidade da primavera no hemisfério norte não atraem muitos os compradores, que pacientemente preferem aguardam ofertas mais atrativas para o segundo semestre do ano – muito embora busquem cobrir suas necessidades de curto-prazo no spot.

As exportações brasileiras em Janeiro totalizaram 2,7 milhões de sacas, abaixo de três milhões de sacas pela primeira vez desde Agosto de 2015. Fevereiro deve ser menor ainda, entretanto o volume acumulado é dilatado e mesmo assim os estoques americanos divulgados pelos GCA (Green Coffee Association) ficaram inalterados, quando historicamente em Janeiro incrementam em média 130 mil sacas (considerando o período de 1989 e 2015). Somando a queda dos certificados a indicação é de a demanda estar se mantendo em alta.

A Organização Internacional de Café estima que o consumo mundial em 2014 tenha sido de 150,16 milhões de sacas, mostrando um crescimento de 1.54% sobre 2013 – depois de incrementos de 2.73% e 3.24%, respectivamente em 2012 e 2013. Se a taxa de crescimento de 1.5% se repetiu em 2015 e 2016, o cenário de oferta mundial não contribuirá para acumulação de estoques.

Chuvas esparsas nas regiões da Colômbia que sofrem com a seca diminuíram um pouco a preocupação dos agentes, mas é bom não se animar muito ainda, pois é preciso sequência nas precipitações, principalmente se abrir florada.

No Brasil a situação do Norte do Espírito Santo não deve reverter perdas da seca, justamente quando o país tinha tudo para ter uma recorde de produção ajudado pela recuperação do arábica. Considerando que o consumo doméstico fica próximo da casa de 20 milhões de sacas e o conilon é parte importante do blend local, os torradores brasileiros acabarão usando mais arábica, portanto influenciando na dinâmica dos preços internacionais.

Os baixistas do mercado de café tem a seu favor o argumento do enfraquecimento do Real e do Peso Colombiano, sem duvida uma grande ajuda aos produtores dos dois países para vender seus cafés a preços equivalentes ao que vendiam quando Nova Iorque negociava próximo a US$ 140 cts/lb. Se não fosse pela questão da moeda uma aposta em novas baixa não teria muito sentido, pois qualquer nova perda de produção no mundo engole o pequeno superávit de 2 milhões de sacas estimado para o próximo ciclo. Sem falar que os produtores brasileiros já venderam quase um quarto da safra 16/17 e um pouco mais de 5% da 17/18.

Tecnicamente o contrato “C” precisa trabalhar acima de US$ 120.00 centavos para evitar o teste de novas mínimas e Londres precisa respeitar os US$ 1400 /ton como linha de suporte.

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

 

Semana de mercado calmo em NY; no mercado físico brasileiro os cafeicultores relutam em vender (por EDUARDO CARVALHAES)

O mercado de café apresentou-se mais calmo esta semana. A ICE futures US não trabalhou na segunda-feira, feriado nos EUA, e nos demais dias da semana os operadores em Nova Iorque focaram a atenção na rolagem para maio dos contratos de café com vencimento em março próximo. No decorrer da semana as cotações oscilaram pouco e acumularam no período uma pequena queda de 95 pontos. 

No Brasil a alta do dólar frente ao real compensou com folga a queda em Nova Iorque. No mercado físico as ofertas se mantiveram estáveis, mas abaixo do patamar pretendido por muitos vendedores. Só se encontrou vendedores para lotes de arábica de boa qualidade com ofertas acima de 500 reais por saca. Preocupado com a escalada dos custos de produção para a nova safra 2016, mesmo nessas bases o cafeicultor reluta em realizar a venda. Cafés mais fracos em bebida e em tipo recebem ofertas abaixo de 500 reais desanimando o produtor brasileiro. 

Notícia veiculada pela Thomson Reuters esta semana informa que processadores de café arábica estão recorrendo cada vez mais aos armazéns com estoques de café certificados pela ICE para industrializarem ao invés de comprar na origem onde estão mais caros. Essa informação confirma que os preços em Nova Iorque estão pressionados e não espelham o mercado físico de arábica.

Mesmo se admitirmos que os embarques brasileiros de café recuem para uma média de 2,8 milhões de sacas por mês no período de entressafra, o Brasil necessitará, desde o início de fevereiro até o final de junho, quando termina o ano safra brasileiro, de aproximadamente 22 milhões de sacas de café (considerando 14 milhões na exportação e 8 milhões para o consumo interno). É difícil de saber se teremos esse volume de café à disposição do mercado. 

A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 5.835.306 em 31 de Janeiro de 2016. Uma baixa de 907 sacas em relação as 5.836.213 sacas existentes em 31 de Dezembro de 2015. 

Até dia 18, os embarques de fevereiro estavam em 1.119.990 sacas de café arábica, 23.753 sacas de café conillon, mais 120.435 sacas de café solúvel, totalizando 1.264.178 sacas embarcadas, contra 1.221.396 sacas no mesmo dia janeiro. Até o mesmo dia 18, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em fevereiro totalizavam 1.905.942 sacas, contra 1.774.696 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 12, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 19, caiu nos contratos para entrega em maio próximo 95 pontos ou US$ 1,26 (R$ 5,09) por saca. Em reais, as cotações para entrega em maio próximo na ICE fecharam no dia 12 a R$ 620,01 por saca, e hoje dia 19, a R$ 623,01 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em maio a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 45 pontos. 

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Fonte:
Archer + Escritório Carvalhes

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1 comentário

  • victor angelo p ferreira victorvapfnepomuceno - MG

    Cafeicultores mesmo já não tem café pra vender não..., acho que ficaria correto dizer que "especuladores ou mesmo atravessadores" é que relutam em vender...

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